Opinião sobre a Série E do Campeonato Brasileiro
A CBF vem discutindo sobre a possibilidade de criação de uma quinta divisão ou ampliação da quarta divisão do certame nacional. Entendo que existe um paradoxo no calendário nacional de clubes: enquanto os clubes da série A sofrem com um calendário apertado, com jogos 2 e até 3 vezes por semana, os clubes das divisões menores (série D, em especial) veem muitos de seus clubes (alguns deles tradicionais, regionalmente relevantes e que já fizeram parte da série A em anos passados) encerrarem seu calendário ainda em agosto, com praticamente um semestre sem jogos oficiais.
Criar uma quinta divisão ou ampliar a quarta divisão nos padrões de formatação dos campeonatos das séries C e D não resolvem o caso. No primeiro caso, replicar o formato da série D para a série E fará clubes participantes serem eliminados previamente, enquanto no segundo caso obrigará a CBF a criar mais etapas eliminatórias para "enxugar" a competição para as fases agudas.
Acredito que o jornalista Ubiratan Leal ou o Allan Brito (do canal Última Divisão, no YouTube) tenham melhores condições de dar sugestões apropriadas para melhorar o calendário das equipes fora da elite do futebol brasileiro. Acho até que algo que eu falar aqui tenha alguma inspiração ou seja consonante ao que eles já tenham falado em outras oportunidades. Vamos lá então:
1. Fase regionalizada: isso é tão óbvio que já é feito pela CBF há muito tempo. É o que acontece em divisões menores na Alemanha, França e Inglaterra. A diferença aqui em relação ao que já é praticado talvez esteja em estender essa fase para que ela ocupe dois terços ou mais do calendário. Citando como exemplo a edição de 2025 da série D, tivemos 64 clubes divididos em 8 grupos de 8 clubes, com 4 clubes avançando para a fase seguinte. Talvez fosse melhor menos clubes classificados à fase seguinte ou, em um número maior de clubes na próxima edição, os grupos passarem a ter mais que 8 clubes.
2. Fase mesclada de divisões: uma alternativa que penso como compensação para a temporada dos clubes eliminados na fase inicial das séries C e D seria uma fase tipo repescagem para manter-se na divisão. No caso da criação de uma série E, os clubes se juntariam aos eliminados na primeira fase da série D para determinar quem permaneceria na série D ou na série E do ano seguinte, e isso poderia ser feito também entre as séries D e C. Dependendo do formato, poderia fazer com que uma equipe da série E seja capaz de subir à série C no ano seguinte, dependendo da campanha e do formato de intercalação dos campeonatos.
3. Usar as competições estaduais como parte da competição nacional: ao invés das competições estaduais serem apenas classificatórias para a série D (ou para a série E, caso seja implantada), é possível usar parte do calendário dos estaduais e fazer com que a pontuação já permita ao clube avançar, no mesmo ano, na competição nacional.
É verdade que um calendário mais simples seria o ideal (replicar o modelo de pontos corridos para todas as divisões nacionais), porém, há o custo envolvido no deslocamento das equipes, que mesmo em tempos de receitas infladas pelas casas de apostas, é impeditivo para a maioria dos clubes das divisões menores. Mas há sim espaço para melhora.
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